segunda-feira, 21 de junho de 2010

Somos mais felizes depois dos 50?

Depois dos 50, a vida parece melhor, e nos sentimos mais contentes. É isso mesmo ? Um novo estudo, baseado numa pesquisa do Instituto Gallup por telefone com mais de 340 mil americanos, garante que sim. Cinquentões são geralmente mais felizes, e enfrentam menos estresse e preocupação do que jovens adultos entre 20 e 40 anos. Esta é a principal conclusão.

O estudo – feito em 2008 e divulgado recentemente pela LiveScience.com, antes de ser publicado pela National Academy of Sciences – levou em conta fatores concretos na vida dos entrevistados, como casamento, filhos e emprego. Ou seja, os pesquisadores tiveram cuidado em não comparar um cinquentão (ou cinquentona) bem casado e bem empregado com um jovem solitário e sem trabalho. Tudo para não deturpar as interpretações finais.

Bem, se ter um parceiro, uma atividade bem remunerada e se livrar das crianças não são as causas para essa sensação de contentamento quando os 50 anos chegam, o que exatamente a idade traz para fazer com que você se sinta menos angustiado e ansioso ? Os pesquisadores não conseguiram descobrir, mas intuíram algumas possibilidades.

“Podem ser razões sociais ou biológicas; esta é a principal questão para nós, e que não foi respondida, disse o psicólogo Arthur Stone, da Universidade Stony Brook, em Nova York.

Para medir o bem-estar dos entrevistados, foram usados critérios que envolvem duas medidas de felicidade: a capacidade de refletir sobre a sua vida e a sensação de prazer imediato.

Algumas conclusões :
* O estresse e a raiva vão diminuindo gradualmente com a idade.
* A preocupação declina aos 50 anos.
* A tristeza aumenta um pouco aos 40 e diminui aos 50 e tantos, mas não oscila tanto quanto os outros sentimentos de acordo com a idade.
* A satisfação geral com a vida aparentemente vai declinando até a chegada dos 50 anos, quando então volta a aumentar.
* A idade influencia o bem-estar igualmente entre homens e mulheres, embora elas tenham mais tendência ao estresse e preocupação.

Ainda segundo a pesquisa, existem algumas teorias para explicar por que as pessoas se sentem melhor um pouco mais velhas – e essas teorias não estão associadas ao estilo de vida, mas à experiência acumulada mesmo.
• Talvez os cinquentões saibam controlar suas emoções melhor do que os jovens.
• Outra tese é de que pessoas mais velhas tendem a ter uma memória mais seletiva – lembram-se de menos coisas negativas, valorizam mais as lembranças boas e felizes. E, portanto, ficam mais contentes.
• Em vez de ficar remoendo seus fracassos e comemorando suas conquistas, os mais velhos acham mais produtivo pensar em como aproveitar o que resta de sua vida.

Como eu já passei dos 50 anos, fiquei me perguntando se sou mais feliz hoje do que aos 20 ou 25. E a primeira resposta que me vem à cabeça é: sou, sim, mais feliz. Na foto que abre este post, eu estou com meus filhos, Pedro, de 23, e Bruno, de 28. A foto foi tirada pelo próprio Bruno, com a câmera digital virada para nós. Já virou tradição natalina. Foi no Natal do ano passado. Em Paraty-Mirim, numa casa tipo choupana, com uma vista paradisíaca. Sempre passamos o Natal assim, na praia, meus filhos e eu. Longe de toda a cena urbana.

É verdade que me sinto hoje bem mais confiante, menos angustiada. Eu tinha dezenas de preocupações que se confundiam com a insegurança própria dos jovens : serei feliz ?, conseguirei trabalhar no que gosto ? , serei independente ? , me apaixonarei por homens bacanas ? , terei filhos saudáveis ? , conhecerei muitos lugares ? , encontrarei pessoas interessantes ? , me orgulharei de ter nascido ? , terá valido a pena viver…?

Todas perguntas relacionadas com o futuro. E, quando temos 20 e poucos anos, as respostas parecem muito, muito longe, lá depois de uma curva inexistente. Não sabemos se poderemos interferir mesmo em nosso destino. Na juventude, damos a esses dilemas uma dimensão que, aos 50, parece desproporcional.

Mas, não consigo associar os 50 anos à falta de inquietações. Essa “felicidade” relacionada à “acomodação” ou à “ausência de dúvidas” ainda não chegou para mim. Felizmente. Tenho tantos projetos que minha maior preocupação – além da minha saúde e a felicidade dos meus filhos – é o tempo. Ou a falta dele.

Claro que, nessa pesquisa, estamos nos referindo a uma parcela da população instruída, bem nutrida e com perspectivas de desenvolvimento pessoal. E não de alguém desprovido do básico. É óbvio também que não podemos generalizar. Há velhos rabugentos e amargurados.

Na sua opinião, o que seria pior – a angústia juvenil ou a da meia-idade? A sabedoria dos 50 pode nos ajudar a ser felizes? Ou a velhice é um naufrágio, como dizia Charles de Gaulle?

Texto de Ruth de Aquino
publicada no site da Época (epoca.com.br)

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